[vc_row][vc_column][vc_column_text]Não resta dúvida para mais ninguém que a vacinação é a chave para o mundo superar a pandemia e voltar a ter crescimento econômico. O cenário para 2021 está fortemente ligado em como a vacinação vai impactar nos países. O melhor exemplo até aqui vem de Israel que conseguiu vacinar algo como 25% da sua população. Os resultados preliminares indicam que já houve redução na velocidade de novos casos e redução de 60% na internação de idosos.

Em seu primeiro pronunciamento público do ano, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou: “a vacinação em massa é decisiva e um fator crítico de sucesso para o bom desempenho da economia logo à frente”. A própria ata do Copom da última reunião do dia 20/01 deixa claro que a preocupação com a evolução da pandemia tanto pelo aumento casos como pelo surgimento de novas cepas podem impactar a retomada da atividade econômica no curto prazo. Esse curto prazo será tão curto quanto possível a depender da velocidade da vacinação aqui e no mundo.

Aliás, o grande fantasma da vez em relação à pandemia são os riscos no aparecimento de novas cepas do vírus que podem, inclusive, não ser combatidos pelas vacinas atuais. As variantes do vírus mapeadas no Reino Unido, África do Sul e Brasil (Amazonas) trazem grande preocupação pela velocidade de contágio que saturam rapidamente os sistemas de saúde. Sobre a cepa sul-africana, muito semelhante à brasileira, um estudo parece indicar que as vacinas atuais não são capazes de combater e podem provocar casos de reinfecção. Estudos precisam prosseguir para, cientificamente, confirmar ou não essas hipóteses.

No mundo, especificamente na Zona do Euro e Reino Unido, não havia dúvidas da importância da vacinação em massa. Tanto que no Mundo Ocidental o Reino Unido foi o primeiro país a iniciar a vacinação e logo em seguida outros países europeus também iniciaram a vacinação. Com a chegada de Joe Biden à Presidência dos EUA tivemos uma mudança radical na postura do Governo Americano quanto à vacinação. Biden anunciou medidas para o combate da pandemia e um ambicioso plano de vacinação nos primeiros 100 dias de governo.

Estimativas indicam a possibilidade de que os países desenvolvidos tenham um número significativo de vacinados permitindo a redução das restrições de mobilidade e um crescimento mais vigoroso das economias. Algo que já começa a aparecer na Ásia com bons resultados na imunização em massa e retomada do crescimento puxado pela locomotiva chinesa.

Por ora o mundo ainda é dependente de estímulos fiscais e monetários. Não é à toa que uma das mais importantes medidas do governo Biden é a aprovação do pacote de USD 1,9 trilhão. O próprio FED, Banco Central dos EUA, demonstra intenção de manter sua política monetária expansionista. Governos e Bancos Centrais da Europa seguem na mesma direção. Tudo indica que esses estímulos estarão presentes ao longo de 2021 oferecendo um cenário favorável para os países emergentes. Será dessa espécie de sincronização do crescimento econômico nas maiores economias que o Banco Mundial projeta crescimento do PIB de 7,9% na China, 5,4% na Índia, 3,6% na Zona do Euro, 3,5% nos EUA e 2,5% no Japão. Mais uma vez o mundo desenvolvido dará uma chance

A situação do Brasil, por outro lado, é mais complicada. A fala do Ministro da Economia é absolutamente correta, mas as ações do Governo Federal são vacilantes em dar respostas urgentes para combate e para a vacinação em massa. A falta e uma coordenação nacional de combate, uma visão negacionista para a dimensão da crise sanitária, uma excessiva politização da pandemia e a quase inexistente ação para a aquisição de vacinas quando ainda era possível estabelecer contratos de fornecimento em larga escala de vacinas, deixaram o Brasil numa situação delicada no combate a Covid19. O que se viu foram ações de improviso, sem planejamento e desestímulo para cuidados sanitários básicos e o de evitar aglomerações. Foram inúmeros os exemplos, no final do ano e agora no início do ano, de aglomerações que fizeram aumentar significativamente os novos casos. É bem verdade que a população também tem sua parcela de responsabilidade nesse aumento.

Fato é que a condução errática no combate à pandemia, a exagerada politização da vacinação e as dificuldades de fornecimento de doses em ritmo mais acelerado trará pressão baixista nas expectativas de crescimento neste início de 2021. A nova onda de contaminação deverá exigir a retomada nas restrições de mobilidade para não colapsar os sistemas de saúde. As preocupações com a possível demora na vacinação tem fundamento.

Chegou ao fim o auxílio emergencial que trouxe fôlego para as famílias. A capacidade de estabelecer um novo programa de auxílio esbarra na própria dificuldade de caixa do governo e nas dificuldades nas discussões do orçamento entre Executivo e Congresso. Nesse estica e puxa de um lado, o Executivo, insiste que qualquer novo auxílio deve ocorrer com compensações orçamentárias (leia-se redução de despesas e investimentos) e por outro lado, o Congresso, que deseja aumentar os gastos com o argumento de que a pandemia assim exige.

A recente e a persistente alta da inflação impacta diretamente a renda dos consumidores pois reduz o poder de compra que, associado com a elevada taxa de desemprego, reduz ainda mais o consumo das famílias. Além disso, o Banco Central acendeu o sinal amarelo indicando que poderá rever as atuais condições da política monetária se o quadro fiscal continuar a se deteriorar e se as projeções para inflação ameaçarem o teto da meta. A reação dos mercados foi imediata e já projetam alta para a Selic na próxima reunião do COPOM.

Tardiamente o Governo Federal parece ter reconhecido que sem o controle da pandemia, não veremos uma retomada sustentável de crescimento econômico. Um duro golpe para os negacionistas de plantão. Agora o Governo Federal está numa desesperada busca por vacinas cujo resultado é nada animador. Perdemos o timing de celebrar acordos de fornecimento a altura de um país com 210 milhões de habitantes.

De fato 2021 não será um ano nada fácil. A volta de um crescimento mais vigoroso e sustentável ainda vai demorar. O atenuante será a gigantesca liquidez disponível e as baixíssimas taxas de juros nos mercados internacionais que poderão trazer algum fluxo para o Brasil poderá dar tempo de reação para o país. O fluxo será tanto maior quanto melhor for feita a lição de casa pelos Governos (Federal, Estadual e Municipal). Estou cautelosamente otimista porque os governantes costumam reagir quando a situação chega à beira do insustentável (ou precipício).

FONTE: PREVNEWS[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]